Em Janeiro de 1985, há trinta anos, o Brasil entrava para o mapa mundial da música. Talvez a geração de hoje pense que foi fácil, mas engana-se. Para conquistar o espaço foi uma tarefa árdua, onde muitos improvisos e imprevistos indicavam que tudo daria errado, porém o empreendimento grandioso do empresário Roberto Medina mostrou-se bem sucedido.
A cidade do rock foi construída em uma área no Rio de Janeiro com cerca de 250 mil metros quadrados para acolher um público somado em dez dias estimado em mais de 1 milhão de pessoas. Para ter o elenco internacional que teve o festival, nada mais que cem artistas foram contatados sem aceitação. Muitos artistas olhavam o Brasil ou com desdém ou com dúvidas.
O Rock In Rio sempre teve como ideia misturar gêneros e estilos. Ficou claro desde o início que apesar do festival ser de rock, algumas plateias não corresponderem, a MPB impôs sua presença, sempre abrindo shows estrangeiros. Tamanha responsabilidade foi uma batalha, conforme os artistas que lá tocaram.
NEY MATOGROSSO
Coube ao cantor Ney Matogrosso fazer o primeiro show no dia 11, enfrentando as vaias, mas se sobressaindo com repertório e figurino que evocava seu grupo Secos & Molhados
Ney canta "Pro Dia Nascer Feliz"
ERASMO CARLOS
Segunda atração do dia 11 e sem a mesma desenvoltura de Ney para superar as vaias, o Tremendão sofreu pra conseguir dar seu recado.
Um medley dos sucessos da Jovem Guarda foi o ápice do show
BABY CONSUELO & PEPEU GOMES
O casal Baby & Pepeu tiveram muitos problemas com o áudio, mas superaram suas limitações. Ela em estágio avançado de gravidez e ele, notório guitarrista, encerraram a participação nacional do dia 11
Masculino? Feminino? Teve som pra todos..
Teve xaxado? Teve, sim senhor
IVAN LINS
Escolhido para abrir o palco do dia 12, Ivan Lins teria um dia mais calmo, com outras atrações mais leves e com direito a participação mais que especial de George Benson
"Começar De Novo": início de empatia com o público
ELBA RAMALHO
Elba Ramalho foi a segunda atração a se apresentar no dia 12 trazendo todo o pique dos ritmos nordestinos
Elba canta "Do Jeito Que A Gente Gosta"
GILBERTO GIL
Encerrando a participação brasileira do dia 12, Gilberto Gil mostra em sua apresentação um pouco do que foi a Tropicália
Gil com sua versão para "No Woman No Cry", aprovada pelo próprio Marley
MORAES MOREIRA
Abrindo os shows do dia 14, foi a vez do cantor Moraes Moreira trazer todo o som do frevo
"Festa do Interior" com participação especial de Armandinho
ALCEU VALENÇA
Alceu Valença encerrou a participação brasileira do dia 14 e sendo o último cantor da MPB a fazer sua estréia no festival
O que diferencia a apresentação dos roqueiros brasileiros dos demais é que viveram um obstáculo duro. Além de não possuírem a mesma consagração dos artistas da MPB, ainda se viram jogados numa comparação inevitável com os roqueiros internacionais. Se tudo desse errado, o rock nacional seria mais uma moda de verão e as portas fechariam para muitos músicos. Sete artistas carregaram o fardo da superação.
PARALAMAS DO SUCESSO
O trio de Brasília foi o primeiro a se apresentar no dia 13, já sob algumas vaias. Mas graças a competência dos músicos fizeram um show coeso e bem sucedido
Ao refrão de "Óculos", Herbert levanta o público
LULU SANTOS
Fazendo o segundo show do dia 13, Lulu Santos encontrou um terreno já preparado para apresentar seu Pop com mais segurança e conseguir agradar
Lulu cantando "Como Uma Onda No Mar"
BLITZ
Os pioneiros do rock nacional dos anos 80 se apresentaram fechando a participação brasileira do dia 13 com a irreverência de Evandro Mesquita e das cantoras Fernanda Abreu e Márcia
"Ridícula"? A apresentação foi longe de ser
KID ABELHA & OS ABÓBORAS SELVAGENS
Encarregados de abrir os shows do dia 15, bem quando os shows aguardados eram as bandas estrangeiras de heavy metal, nervosismo, insegurança e vaias foram marcas de uma apresentação que o Kid Abelha conseguiu impor com seu som Pop
Paula Toller cantando "Nada Tanto Assim"
EDUARDO DUSEK
Eduardo Dusek talvez tenha sido uma das atrações mais incompreendidas do festival com sua performance irreverente e teatral. Resultado? Tirou de letra
Dusek vai de rockabilly com "Recebi Seu Bilhetinho"
BARÃO VERMELHO
A maré dos brasileiros começou a mudar a partir da apresentação do Barão Vermelho. Graças ao carisma de Cazuza e a guitarra de Frejat ganharam o público com um dos melhores shows do evento
Cazuza em uma noite inesquecível
RITA LEE
A rainha do rock nacional encerrou a participação brasileira do dia 16. Com apoio do guitarrista Roberto de Carvalho, desfilou sucessos dela e de seu tempo nos Mutantes
As tão aguardadas estrelas da música que vieram têm em comum que ou estavam com a carreira em declínio ou estavam em turnê de lançamento. Enquanto os grandes nomes da época se recusaram em vir ao festival por ser na América do Sul e com aparente falta de estrutura, os que vieram inclusive revitalizaram a carreira.
AL JARREAU
Primeira atração internacional do dia, o músico com influências do Jazz é um que sentiu sua carreira revitalizada com a apresentação
Al Jarreau - "Mornung"
JAMES TAYLOR
O caso do cantor James Taylor foi ainda maior. O festival resgatou no cantor a vontade de voltar a cantar. Na época lutava contra a dependência das drogas e sofria com o divórcio do seu casamento com a cantora Carly Simon. Grato, compôs a música "Only A Dream In Rio"
James Taylor - "You Got A Friend"
GEORGE BENSON
Outro músico influenciado pelo Jazz e pela música brasileira, George Benson encerrou a noite do dia 12
George Benson - "Inside Love So Personal"
THE GO-GO'S
O grupo feminino americano The Go-Go's abriu a noite do dia 13, sendo a primeira banda New Wave a se apresentar
The Go-Go's - "Head Over Heels"
NINA HAGEN
A cantora punk alemã absorvida pela New Wave foi a segunda atração internacional do dia 13. Gostou tanto do Brasil que mais tarde engatou uma parceria com o cantor Supla
Nina Hagen - "Balroom Blitz"
ROD STEWART
O cantor britânico que adora a música e o futebol do Brasil se sentiu em casa para encerrar a noite do dia 13
Rod Stewart - "You're In My Heart"
B-52'S
A outra banda New Wave a se apresentar era o B-52's. Um dos últimos a estrear no palco, pisaram nele somente no primeiro show internacional do dia 18
Atrações internacionais do Heavy Metal ao Progressivo
Entre os convidados estavam os mais prestigiados e os mais aguardados do evento. Aqueles em que o público mais esteve ansioso para ver e também os que os organizadores mais apostaram o investimento. O sucesso foi do tamanho do volume do som das atrações.
WHITESNAKE
Convidados de última hora por causa da desistência do Def Leppard, a banda Whitesnake do vocalista Dave Coverdale foi a primeira banda de heavymetal a tocar. Logo no primeiro dia, o barulho começou contando ainda com Dave Mustaine na guitarra
Whitesnake - "Slow And Easy"
IRON MAIDEN
Única banda a fazer apenas um show no evento foi a segunda a se apresentar na noite de abertura. A receptividade fez a banda retornar algumas vezes ao Brasil para shows
Iron Maiden - "Aces High"
QUEEN
Embora o Queen não seja uma banda de heavy metal, o seu hard rock é o mais popular e o mais adorado por quase todos. Encerrando a primeira noite do festival, proporcionaram por unanimidade o show mais emocionante da história de todos os Rock In Rio
Queen - "Bohemian Rhapsody"
SCORPIONS
O Scorpions é uma banda que estava em plena turnê quando recebeu o convite para vir tocar no Brasil. Toparam na hora, pois a música "Still Loving You" estava no topo das paradas brasileiras. Foi o primeiro estrangeiro a tocar no dia 15
Scorpions - "Rock You Like A Hurricane"
AC/DC
Outro pessoal do heavy metal que estava em turnê e aproveitou o evento para promovê-lo foi o AC/DC que fechou a noite do dia 15 com um show a parte do guitarrista Angus Young
AC/DC - "Jailbreak"
OZZY OSBOURNE
Contratado pelo festival sob a cláusula de não comer nenhum animal vivo durante a apresentação, Ozzy Osbourne fez o primeiro show internacional do dia 16, numa noite não programada para o heavy metal. Para agradar, vestiu a camisa do Flamengo e jurou ser flamenguista de coração
Ozzy Osbourne - "Crazy Train"
YES
Também vindos de turnê e promovendo o álbum 90125, coube ao grupo de rock progressivo fechar a noite do dia e fazer a última apresentação do Rock In Rio no dia 20
Harmony Cats foi um grupo feminino vocal que pode se afirmar que foi um dos grupos pioneiros de mulheres na música Pop brasileira. Entre os anos de 1.976 e 1.986 o grupo conheceu o sucesso. Belas, o grupo tinha o assédio da televisão, presença obrigatória nos programas de auditório, mas a fama veio graças a forma competente como regravavam músicas consagradas da Discoteque.
Inicialmente o grupo chamava-se Bandits Of Love e tinham cinco integrantes escolhidas pelo produtor da gravadora RGE, Helio Costa Manso que cantavam "medleys" de trilhas sonoras de filmes e músicas da Disco Music. Deu tão certo que as comparações com outro grupo que seguia a mesma receita, As Frenéticas, foram inevitáveis. Ainda mais que as Harmony Cats também conseguiram se encaixar na trilha sonora de Dancin' Days.
Em 1.980 o grupo se tornou um trio e apesar de passado o impacto da novidade, foi a formação mais conhecida do público.Vivian, Maria Amélia e Silvia Marinho, essa também conhecida como esposa do cantor Gilliard. Após o fim do grupo, todas as integrantes das duas formações se envolveram em composição e produção de músicas para programas de televisão.
Doze anos de regime petista no governo brasileiro, entrando já na sua quarta gestão consecutiva apresentando um quadro quase geral de insatisfação, principalmente da classe média frente as quase infinitas denúncias de corrupção política. Mensalão, Petrolão, alguma hora a realidade iria bater na porta da música.
E quem abriu foram dois músicos da cidade de Curitiba. Cansados de ver um cenário musical árido em músicas de protesto, resolveram compor "Impeachment", uma música que prega a saída da presidente da República e já apresentada na imensa manifestação pró-impeachment no último dia 15
Luiz Trevisani e Eder Borges se conheceram pelas redes sociais, mas o resultado de sua música de protesto remete aos tempos de músicas de protesto do rock nacional dos anos 80, onde verdadeiras músicas revolucionárias conviviam com outras com pretensão séria, mas levadas na base do deboche e da irreverência. Talvez Os Reaças sejam apenas um pouco de tudo isso, mas em pouco tempo conseguiram polemizar com sua mensagem.