the guitar world

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domingo, 20 de janeiro de 2019

Favela Sounds

Favela Sounds: o maior festival de inclusão do país


Favela Sounds é o nome dado ao festival de música surgido em 2016 com a clara proposta de ser o maior festival musical do Brasil de inclusão social. O Favela Sounds procura abrigar a cultura das periferias dos centros urbanos, trazendo artistas das favelas de todas as regiões do país dando oportunidades e visibilidade.

Atualmente foram realizadas três edições do festival, todas elas aconteceram na capital Brasília. Acontecendo normalmente no mês de novembro, além da apresentação dos músicos o festival promove oficinas e debates que giram em torno de assuntos como a desigualdade social e as precárias condições de habitação.




Na terceira edição do festival, ano passado, foram realizados quatro oficinas, quatro debates e dois dias de baile. No total de mais de quase trinta artistas passaram pelo palco  e o evento vem atraindo também artistas do exterior, maioria também de língua portuguesa. O festival vem crescendo em público e importância. A edição do ano passado contou com 30.000 pessoas.

É patrocinado por uma grande empresa de telefonia e também pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal.  As oficinas são chamadas de "Ralação", os debates de "Papo Reto" e as demais ações de "Tamo Junto". Estima-se que o festival costuma empregar mais de 800 pessoas em empregos diretos e indiretos.


Favela Sounds: edição de 2017





Helder Santos

domingo, 6 de janeiro de 2019

Dream Team do Passinho

Dream Team do Passinho: os porta-vozes da Dança do Passinho


Como expressão popular, a Dança do Passinho existe desde a segunda metade dos anos 2.000 vindo de comunidades humildes do Rio de Janeiro, firmando-se como dança de funk de sucesso imediato nos bailes cariocas até ser finalmente conhecido em outros lugares. Mesmo sendo conhecido nos anos seguintes mesmo fora do Brasil, parecia faltar algo. Uma identidade.

Em 2.013 nasceu o Dream Team do Passinho. Os integrantes já se conheciam através de campeonatos de dança. Foi na última edição do campeonato "A Batalha do Passinho"  que foram unidos através de um diretor para protagonizar um videoclipe para um comercial de refrigerante. O vídeo se chama  "Todo Mundo Aperta o Play" e fez enorme sucesso em poucos dias.


Ao vivo: fenômeno na internet


Ter alcançado rapidamente a marca de um milhão de visualizações levou o Dream Team do Passinho ao estrelato. De contrato com a gravadora Sony lançaram o álbum "Aperta o Play". Dois singles "De Ladin" e "Vai Dar Ruim" chegaram a fazer parte de trilhas sonoras de programas da emissora de televisão Rede Globo. Esses singles também superaram a marca de um milhão de visualizações pelo canal Youtube.

O quinteto é liderado pela dançarina e também atriz Lellêzinha. Acompanhada por quatro dançarinos, juntos conseguiram ser destaques no Rock In Rio  de 2.017.  Tiveram participações especiais em shows de Fernanda Abreu e Alicia Keys. Recentemente regravaram "Beleza Pura", música mais conhecida na voz da banda A Cor do Som.


Dream Team do Passinho - "Todo Mundo Aperta o Play"





Helder Santos



sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Moa do Katendê

Moa do Katendê: vítima do extremismo político


Romualdo Rosário da Costa era o nome do artista Moa do Katendê. Brasileiro, baiano de Salvador era reconhecidamente como mestre de capoeira,  educador, percussionista e compositor que era conhecido no Estado da Bahia. Mas Moa do Katendê era bem mais que isso. Sua importância se estendia na medida que vai se conhecendo seu envolvimento no cenário cultural local.

Moa do Katendê era mais conhecido como capoeirista, mas na música foi adquirindo importância desde 1.977 quando compôs a música "Bloco Beleza", música vencedora de um festival na interpretação do bloco Ilê Aiyê. O título rendeu uma turnê pela Europa. No ano seguinte no dia 13 de maio ( data da Lei Áurea ), cria o grupo de  afoxé, o Badauê.




Moa do Katendê sempre foi purista na arte. Defendia a africanização da música baiana frente a pasteurização Pop que essa tomou visando sucesso comercial.  Em 1.995 funda outro grupo de afoxé chamado Amigos do Katendê, grupo que mantém intercâmbio com o Estado de São Paulo. Desde então tornara-se uma importante referencia das tradições afro-baianas a nível nacional.

Isso até o último dia 07/10 quando uma discussão política colocaria um fim em sua vida. Primeiro turno eleitoral, Moa do Katendê pronunciou-se a favor de um candidato frente a um simpatizante do candidato concorrente. A discussão foi encerrada por 12 facadas. O mestre de 63 anos, o menino de 8 que cresceu no terreiro Ilê Axé Omin Bain, falecera. A polarização da já conturbada política brasileira escreve mais um lamentável capítulo.


Entrevista com Moa do Katendê



Moa do Katendê - "Festa da Magia"






Helder Santos


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Jazz Jamaica

Jazz Jamaica: fusão com o reggae


Em 1.991 um músico inglês relativamente conhecido chamado Gary Crosby resolve iniciar uma nova fase para sua carreira. Baixista, compositor, arranjador e educador de Jazz ganhou fama ao integrar a banda Jazz Warriors nos anos 80. Com descendência jamaicana, decide por um novo projeto que remetesse suas raízes. Nasceria então, o Jazz Jamaica.

Os anos 90 foram férteis para o chamado Jazz Fusion. Valendo-se de ritmos como o ska e o reggae, o Jazz Jamaica servia como porta de entrada para jovens músicos jamaicanos ingressarem no mundo do Jazz e terem a oportunidade de mostrar seus talentos. Em 1.999 com a adição de tantos músicos passou a exercer o status de big band.


Jazz Jamaica: vitrine para jovens músicos


A banda passa a ser conhecida como Jazz Jamaica All Stars. Com a banda tendo um total de vinte integrantes, a ponto de ter cinco saxofones, quatro trompetes e quatro trombones, a banda começa a ter reconhecimento na mídia especializada. Em 2.002 conseguem importante prêmio de melhor banda de Jazz no BBC Jazz Awards.

De 93 pra cá a banda lançou quatro álbuns. Não foram muitos, mas a visibilidade deles permitiu que o grupo fosse um dos grupos preferidos do Reino Unido. O último álbum "Motorcity Roots" de 2.005 trazia vários clássicos da gravadora Motown com roupagem nova. A boa aceitação permitiu ao grupo que fizesse uma grande turnê pela Europa.


Jazz Jamaica - "You Don't Love Me"





Helder Santos

sábado, 15 de setembro de 2018

Mawaca

Mawaca: grupo brasileiro de World Music


O grupo é brasileiro, mas podia ser de qualquer parte do mundo. Isso porque o grupo Mawaca tem o firme propósito de percorrer sonoridades de vários países do mundo e ainda ser brasileiríssimo. O Mawaca faz um trabalho de pesquisa, buscando sons de várias etnias e suas músicas são cantadas em mais de dez idiomas. A riqueza cultural com que é escolhido em seu repertório faz jus ao rótulo de banda de World Music.

O Mawaca veio de São Paulo e já tem vinte e um anos de carreira. Nesse tempo foram lançados sete álbuns e três DVDs. O nome "Mawaca" significa "cantores-xamãs" segundo a etnia hausa do norte da Nigéria. Os integrantes do grupo acreditam que proferir a palavra serve para atrair o poder dos espíritos. 




Figurinos e coreografia são outros detalhes que o grupo leva muito a sério. O grupo se caracteriza pela presença de sete mulheres cantoras. Apesar disso, não se trata meramente de um grupo vocal. Um grupo instrumental acústico as acompanha e chama atenção pela variedade de instrumentos de percussão como uso de tablas indianas, derbak árabe, djembés africanos e pandeiros do Maranhão.

Contando já com uma bagagem internacional, o grupo se destaca como um sucesso de crítica. Seu talento é amplamente reconhecido no meio musical e na imprensa especializada. Em termos de Brasil, um momento importante foi a presença no Rock In Rio de 2.001, na Tenda Raízes,sem dúvida uma vitrine para ser conhecido também no exterior.


Mawaca - "Asurini"


Mawaca - "Dumbala"






Helder Santos



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O disco de ouro de Carl Sagan

Carl Sagan e o disco de ouro da Voyager 


Também conhecido como o Disco de Ouro da Voyager. São discos que foram colocados a bordo das naves Voyager I e II. Datado no mês de setembro de 1.977, período de lançamento, a NASA previa que as naves percorressem o cosmos rumo além das fronteiras do Sistema Solar levando como conteúdo mensagens que transmitissem a vida da Terra em esperança de que pudesse ser encontrados por vida alienígena.

O conteúdo foi minuciosamente escolhido e mixado pelo renomado cientista Carl Sagan e um comitê da NASA. Cerca de 115 imagens e diversos sons como sons naturais referente ao clima, sons ligados a fauna, sons de atividade industrial ou mesmo sons em forma de saudações em diferentes idiomas foram gravados.


Disco de Ouro da Voyager em processo de produção


O disco é feito de cobre banhado a ouro e o uso de urânio-238 foi feito como proteção na capa do disco. A expectativa da duração do urânio-238 é que seja de bilhões de anos. Em setembro de 2.013 a NASA divulga oficialmente que a Voyager I cruza a fronteira interestelar. Acredita-se que atualmente a Voyager I esteja a 19 bilhões de quilômetros do Sol.

E a música do nosso mundo azul não foi esquecida. Há registros de muita música étnica, bem como a obra de gênios da música clássica como Bethoween, Mozart, Bach e Stravinsky. A música Pop foi representada por "Johnny B. Good" de Chuck Berry. Carl Sagan queria incluir também "Here Comes The Sun" dos Beatles, mas a gravadora da banda EMI não autorizou.


O cientista norte-americano Carl Sagan



Algumas das músicas a bordo da Voyager 1





Helder Santos

domingo, 19 de agosto de 2018

Lampião e o Xaxado

Virgulino Ferreira, o Lampião: pai do Xaxado


Lampião foi o conhecido cangaceiro que trilhou pela década de 20 com seu bando pela caatinga nordestina, praticando assaltos e espalhando certo terror pelo sertão que causavam confrontos diretos com autoridades da região. Apesar de alguma discordância, Lampião teria sido também o criador de um dos ritmos musicais mais populares da região do Nordeste. O xaxado.

O xaxado em seu início era usado pelo bando de Lampião como uma celebração pra cada feito bem sucedido. Uma dança em fila indiana, arrastando-se os pés, puxando versos agressivos contra os  inimigos e de versos de heroísmo as façanhas realizadas. Sem mulheres, a presença feminina era representada pelo rifle. Isso mudou quando Lampião conheceu Maria Bonita.


Com mulheres no  bando de Lampião, o xaxado ganha outra importância


Maria Bonita se tornaria a companheira de Lampião até o último dia de ambos e de seu bando. A presença de Maria Bonita fez com que outras mulheres se ajuntassem. Isso fez o xaxado ser ainda mais musical. Nas celebrações dos bandos de Lampião, novos elementos como o uso de sanfona, triângulo e zabumba foram sendo incorporados e após a morte do bando ser conhecido pelo interior pernambucano.

Anos mais tarde, já nos anos 40, um músico pernambucano ajudou a difundir o xaxado para as outras regiões do Brasil. Luiz Gonzaga, quando ainda não era o "Gonzagão" e muito menos o "Rei do Baião" era tido como o "Rei do Xaxado" em suas primeiras gravações. Na época, Luiz Gonzaga percorria os Estados do Nordeste e em seus shows quem abria era uma cantora pernambucana chamada Marinês que se tornaria a primeira "Rainha do Xaxado".


Luiz Gonzaga


Luiz Gonzaga - "Olha a Pisada"


Luiz Gonzaga ao lado de Marinês


Marinês - "Assim Nasceu o Xaxado"








Helder Santos